Você posta uma foto, um vídeo, uma opinião… e, no meio dos comentários, aparece aquele: seco, agressivo, maldoso.
Pode ser alguém rindo da sua aparência, atacando seu jeito, ironizando seu trabalho ou desqualificando algo que você levou tempo para fazer.
Às vezes é um desconhecido com perfil sem foto.
Às vezes é alguém que você conhece da escola, do trabalho, até da família.
E, por mais que a gente repita “não liga, é só internet”, a verdade é que comentários maldosos nas redes sociais machucam de verdade. Eles mexem com a autoestima, dão vontade de sumir, de apagar post, de parar de se mostrar.

Este artigo é um guia para:
- Entender por que as pessoas fazem esse tipo de comentário;
- Diferenciar crítica construtiva de ataque gratuito (hate);
- Aprender estratégias práticas para lidar com comentários maldosos;
- Cuidar da sua saúde emocional enquanto continua usando a internet;
- E, se você cria conteúdo, ter ferramentas para não deixar o hate te paralisar.
E se você quiser entender ainda mais a fundo a lógica de quem precisa rebaixar o outro, este artigo pode te ajudar a aprofundar melhor esse comportamento:
“Pessoas que diminuem os outros para se sentir melhor: entenda a psicologia e aprenda a se proteger.”
1. O que são comentários maldosos nas redes sociais
“Comentário maldoso” não é qualquer mensagem que a gente não gosta de ouvir.
Às vezes alguém traz uma crítica verdadeira, um ponto de atenção, uma discordância — isso faz parte da vida e da internet.
Comentário maldoso, neste artigo, é aquele que:
- Tem a intenção (ou o efeito claro) de ferir, humilhar ou desqualificar;
- Ataca você como pessoa (aparência, caráter, valor), e não apenas uma ideia ou conteúdo;
- Vem sem cuidado, empatia ou vontade real de dialogar.
1.1. Exemplos de comentários maldosos
Alguns exemplos típicos:
- “Credo, que cara de acabado, parece que não se cuida.”
- “Você falando disso? Kkkkk ninguém liga pra sua opinião.”
- “Ridículo esse conteúdo, você não sabe nada, passa vergonha.”
- “Por isso está sozinho(a), olha seu jeito.”
- “Nossa, que corpo feio, sem condições.”
Perceba: não é só sobre discordar — é sobre diminuir.
1.2. Diferença entre discordar e atacar
Você pode ouvir:
- Discordâncias respeitosas:
- “Eu vejo esse assunto de outra forma, por causa de X e Y.”
- “Não concordo com você, já pensou em tal ponto?”
- Ataques maldosos:
- “Cala a boca, você fala merda.”
- “Só gente burra pensa como você.”
Numa discordância saudável, a conversa é sobre ideias.
No comentário maldoso, a conversa vira sobre te desqualificar.
2. Por que as pessoas fazem comentários maldosos online?
Saber o “porquê” não torna o comportamento certo, mas ajuda a perceber que o problema não é você.
2.1. Anonimato e distância
Na internet, muita gente se sente:
- Protegida atrás de uma tela;
- Menos responsável pelo que fala;
- Mais corajosa para dizer o que nunca diria pessoalmente.
Essa sensação de “ninguém me vê de verdade” aumenta a chance de comentários agressivos.
2.2. Válvula de escape para frustrações
Muitas pessoas que atacam:
- Estão frustradas com a própria vida;
- Sentem inveja do que você mostra (corpo, vida, conquistas, coragem de aparecer);
- Usam o ataque como forma de aliviar a própria insegurança.
Algumas pessoas diminuem os outros para se sentirem melhores consigo mesmas.
2.3. Cultura de ódio e “sinceridade sem filtro”
Existe também uma cultura de:
- “Falar na cara”;
- “Sinceridade acima de tudo”;
- “Não passar pano para ninguém”.
Na prática, muita gente usa isso como desculpa para:
- Falar sem empatia;
- Não assumir responsabilidade pelo impacto do que diz;
- Fantasiar agressão de “opinião sincera”.
3. Crítica construtiva x hate: como diferenciar
Nem toda crítica é hate, e aprender a fazer essa distinção é fundamental para:
- Não se fechar para qualquer feedback;
- Não absorver como verdade todo comentário maldoso.
3.1. Tabela: crítica construtiva x comentário maldoso (hate)
| Característica | Crítica construtiva | Comentário maldoso (hate) |
|---|---|---|
| Foco | Na ideia / conteúdo / comportamento | Na pessoa (aparência, caráter, valor) |
| Intenção | Ajudar a melhorar, trazer outro ponto de vista | Ferir, ridicularizar, diminuir |
| Tom | Respeitoso, mesmo quando firme | Sarcástico, agressivo, humilhante |
| Linguagem | “Talvez você pudesse…”, “Já pensou em…” | “Ridículo”, “lixo”, “burro(a)”, ataques diretos |
| Abertura ao diálogo | Normalmente aceita conversar, explicar melhor | Costuma evitar diálogo real, responde com mais ataque |
| Efeito em quem recebe | Pode incomodar, mas faz pensar | Faz sentir vergonha, raiva, vontade de sumir |
3.2. Perguntas para usar como filtro
Quando ler um comentário, pergunte:
- A pessoa está criticando uma ideia ou me atacando como pessoa?
- Existe algum ponto útil ali, mesmo se o tom foi ruim?
- Se tirasse os xingamentos, ainda sobraria conteúdo?
- Essa pessoa parece disposta a conversar ou só quer jogar ódio e sumir?
Se a resposta for: “é só ataque, sem nada aproveitável”, estamos falando de hate, não de crítica construtiva.
4. Impactos emocionais dos comentários maldosos
Mesmo sabendo que “é só internet”, o corpo e a mente reagem como se fosse um ataque cara a cara.
4.1. Emoções comuns após um comentário maldoso
- Vergonha (“por que eu postei isso?”);
- Raiva (“quem essa pessoa pensa que é?”);
- Medo (“e se mais gente pensar assim?”);
- Vontade de se esconder (“não vou postar mais nada”).
4.2. Como isso pode afetar sua autoestima
Com o tempo, se você:
- Recebe comentários maldosos frequentes;
- Ou dá muito peso recorrentemente a eles;
pode começar a:
- Acreditar nas mensagens (“talvez eu seja realmente ridículo(a)”);
- Se censurar antes de postar (auto boicote);
- Diminuir sua presença online por medo de críticas.
4.3. Quando é importante buscar ajuda
Vale muito considerar ajuda profissional (psicólogo, por exemplo) se você percebe que:
- Seu humor despenca por causa do que lê;
- Está com dificuldade de dormir, comer ou se concentrar por causa de um comentário;
- Pensa em desistir de projetos, estudos, trabalho ou sonhos por medo de exposição.
Você não é “fraco(a)” por se afetar. Comentários são feitos de palavras, e palavras mexem com a gente.
5. Como lidar com comentários maldosos na prática
Vamos para a parte que todo mundo quer: o que fazer na hora H?
5.1. Primeira regra de ouro: não reagir no calor da emoção
Se possível:
- Não responda imediatamente;
- Dê alguns minutos (ou horas) para respirar;
- Se precisar, feche o app, levante, beba água, faça outra coisa.
Responder sob efeito de raiva costuma:
- Alimentar o ciclo;
- Dar mais palco ao hater;
- Fazer você falar coisas que depois não gostaria.
5.2. Lembre-se: um comentário não define quem você é
Você pode criar um “mantra” pessoal, por exemplo:
- “Esse comentário fala mais da pessoa que escreveu do que de mim.”
- “Uma opinião maldosa não anula o valor do que eu faço.”
- “Eu posso escolher o que vou fazer com isso.”
Pode parecer bobo, mas repetir isso ajuda a quebrar a fusão entre comentário e identidade.
5.3. Três passos simples de proteção
- Avalie: é crítica com algo útil ou é hate puro?
- Decida: vale responder, silenciar, bloquear, denunciar?
- Cuide de você: faça algo que te reconecte com quem te apoia (amigos, família, terapia, atividade prazerosa).
6. Quando responder e quando ignorar
Nem sempre ignorar é a melhor opção; nem sempre responder é inteligente. Vamos separar cenários.
6.1. Quando vale responder
Pode fazer sentido responder quando:
- É uma dúvida real, só mal formulada;
- É uma crítica com algum fundo de verdade, mesmo que em tom ruim;
- É alguém que parece aberto a conversar;
- Você sente que a resposta pode ajudar outras pessoas que estão lendo.
Como responder:
- Tire os ataques e foque no conteúdo:
- “Entendi seu ponto sobre X. De fato, dá para melhorar em Y. Obrigado pelo comentário.”
- “Você discordou de mim por causa de X. Minha visão é diferente por causa de Y. Vamos concordar em discordar.”
Isso mostra:
- Maturidade;
- Que você não se reduz ao nível do ataque;
- E pode, inclusive, transformar um hater em alguém neutro ou até apoiador (às vezes acontece!).
6.2. Quando é melhor ignorar
Ignorar é ótimo quando:
- O comentário é claramente feito só para provocar;
- A pessoa não tem histórico de interação com você (troll aleatório);
- Não há nada a aproveitar ali, nem para você nem para outros leitores;
- Responder daria ainda mais visibilidade ao ataque.
Você não é obrigado(a) a responder tudo.
6.3. Quando bloquear e/ou denunciar
Bloquear não é infantil. É ferramenta de limite digital.
Considere bloquear/denunciar quando:
- A pessoa insiste em ataques, mesmo depois de você já ter colocado limite;
- Há ofensas graves, discurso de ódio, ameaças;
- O comentário foge totalmente de qualquer conversa saudável.
Você não tem como controlar quem existe na internet, mas pode controlar quem tem acesso direto a você.
7. Ferramentas das próprias redes para se proteger
Quase todas as redes sociais hoje têm algum recurso para ajudar a lidar com comentários maldosos. Vale usar sem dó.

7.1. Silenciar palavras e filtros de comentários
Muitas plataformas permitem:
- Bloquear comentários que contenham certas palavras ou expressões;
- Esconder comentários considerados “potencialmente ofensivos”;
- Aprovar comentários antes deles aparecerem (moderado).
Você pode:
- Criar uma lista de palavras que não quer ver (x x x etc.);
- Ativar o filtro de linguagem agressiva.
7.2. Restringir quem pode comentar
Dependendo do seu perfil:
- Deixar comentários apenas para seguidores;
- Permitir comentários apenas de “amigos” ou pessoas aprovadas;
- Fechar comentários em posts específicos (quando o tema é mais sensível).
Isso não é “censura”; é curadoria de saúde mental.
7.3. Bloquear, restringir, remover
Ferramentas básicas, mas poderosas:
- Excluir comentários claramente ofensivos;
- Bloquear perfis que não respeitam limites;
- Restringir (a pessoa comenta, mas só ela vê, por exemplo, em algumas redes).
Você não tem a obrigação de dar palco para tudo que escrevem.
8. Se você cria conteúdo: lidando com hate recorrente
Se você é criador(a) de conteúdo, influencer, artista, profissional que usa muito as redes, o desafio aumenta: quanto mais visibilidade, mais chance de hate.
8.1. Separar sua identidade do seu conteúdo
É importante lembrar:
- Seu conteúdo pode ter falhas, e está tudo bem;
- Você está aprendendo e evoluindo;
- Um erro ou vídeo ruim não define seu valor como pessoa.
Sempre que possível, transforme:
- Comentário construtivo → aprendizado;
- Comentário maldoso → dado irrelevante (descartado).
8.2. Criar um protocolo de gestão de comentários
Você pode:
- Definir regras pessoais:
- “X eu respondo, Y eu ignoro, Z eu bloqueio.”
- Estabelecer horários específicos para ler comentários, não o dia inteiro;
- Delegar parte da moderação, se possível, para alguém de confiança.
8.3. Lidar com a pressão de performance
Conteúdo que viraliza traz:
- Amor e apoio;
- Mas também uma chuva de críticas, piadas, distorções.
Nessa hora, ajuda muito:
- Ter pessoas offline que te conhecem de verdade;
- Lembrar de por que você começou;
- Revisitar mensagens positivas que recebeu (salvar prints de feedbacks bons, por exemplo).
9. Plano de ação: passos para os próximos 7 dias
Vamos transformar tudo isso em movimento prático. Adapte conforme sua realidade.
9.1. Plano de 7 dias para lidar melhor com comentários maldosos
| Dia | Ação prática |
|---|---|
| Dia 1 | Revise suas redes e identifique: quais tipos de comentários mais te afetam? Faça uma lista. |
| Dia 2 | Separe, nessa lista, o que é crítica construtiva e o que é hate puro. |
| Dia 3 | Configure filtros de palavras e comentários nas redes que você mais usa. |
| Dia 4 | Defina seu “protocolo pessoal”: o que você responde, o que ignora e quando bloqueia/denuncia. |
| Dia 5 | Escolha um comentário recente (não gravíssimo) e pratique uma resposta assertiva ou escolha conscientemente ignorar. |
| Dia 6 | Conecte-se com pessoas que te apoiam (amigos, família, comunidade). Compartilhe com alguém de confiança como você se sente. |
| Dia 7 | Reflita: o que mudou na forma como você se sente ao ver comentários? O que funcionou bem? O que quer seguir praticando? |
9.2. Mini ritual pós-comentário maldoso
Quando receber algo que te pega muito:
- Respire fundo algumas vezes.
- Saia da tela (nem que seja por 5 minutos).
- Pergunte: isso é sobre mim ou sobre o outro?
- Decida conscientemente o que fazer (responder, ignorar, apagar, bloquear).
- Faça algo que te faça bem logo depois (música, banho, conversa, série, leitura).

Isso te ajuda a não deixar a experiência parar na ferida.
10. Conteúdos relacionados para fortalecer sua proteção emocional
Leia também outros artigos relacionados:
- Pessoas que diminuem os outros para se sentir melhor: entenda a psicologia e aprenda a se proteger
→ Para entender a raiz desse tipo de comportamento, dentro e fora da internet. - Ambiente de trabalho:
Como lidar com pessoas tóxicas no trabalho – estratégias para o ambiente profissional
→ Quando a toxicidade aparece também no presencial. - Família:
Família que diminui e compara: como não acreditar em tudo o que você ouve
→ Para ver como a forma como você lida com críticas pode ter começado em casa. - Amizades:
Amizades que te diminuem: quando o grupo “zoeiro” passa do limite
→ Para entender por que às vezes a zoeira dói tanto. - Limites saudáveis:
Limites saudáveis: como dizer não e se proteger de pessoas que te diminuem
→ Para aprender a colocar limites claros, online e offline. - Autoestima:
Como recuperar a autoestima depois de ser muito diminuído por alguém
→ Para reconstruir a forma como você se enxerga, mesmo depois de muito hate.
11. Conclusão: o comentário é deles, mas o impacto você pode escolher
Comentários maldosos nas redes sociais não são “só internet”. Eles atingem:
- A forma como você se vê;
- Sua coragem de aparecer;
- Sua vontade de compartilhar quem você é.
Neste artigo, você viu:
- O que caracteriza um comentário maldoso;
- Por que tanta gente se sente à vontade para atacar atrás da tela;
- Como diferenciar crítica construtiva de hate puro;
- Que impactos emocionais isso pode trazer para sua vida;
- Estratégias concretas para responder, ignorar, bloquear, denunciar e filtrar;
- Recursos das próprias redes para se proteger;
- Um plano prático de 7 dias para mudar a forma como você lida com tudo isso.
Você não controla tudo o que escrevem, mas pode:
- Escolher o quanto isso define seus próximos passos;
- Cuidar de quem você deixa entrar na sua “casa digital”;
- Construir, aos poucos, uma relação mais saudável com sua presença online.
Aprofunde a raiz do comportamento
Se você quer entender melhor por que algumas pessoas precisam diminuir as outras, leia também:
Pessoas que diminuem os outros para se sentir melhor: entenda a psicologia e aprenda a se proteger
Esse artigo vai te dar uma visão mais ampla da dinâmica por trás dos comentários maldosos — dentro e fora da internet.
Transforme esse conteúdo em um guia prático
Guia rápido: como lidar com comentários maldosos nas redes sociais
Com:
- Checklist para diferenciar crítica de hate;
- Modelo de respostas assertivas (quando você quiser responder);
- Lista de ações para usar filtros, bloqueios e denúncias;
- Um mini plano pessoal de autocuidado depois de receber ataques.
Continue caminhando com o “Como lidar com pessoas”
Se este texto fez sentido para você:
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Você tem o direito de existir também no mundo digital sem ser destruído(a) por cada comentário maldoso.
A internet é grande demais para você caber só no espaço que os haters permitem. 💛
Nem sempre é fácil conviver com outras pessoas. Às vezes, basta um comentário atravessado, uma atitude egoísta ou uma repetição de comportamentos desgastantes para tirar qualquer um do sério. Nós sabemos disso — não por ouvir falar, mas por viver isso ao longo de muitos anos. Foi exatamente dessa vivência intensa, cheia de desafios e aprendizados, que nasceu o blog Como Lidar com Pessoas.







